SABINA FREIRE


ENCENAÇÃO 

RUI MADEIRA

[2009]

DE

 

MANUEL TEIXEIRA GOMES

SABINA FREIRE

Sabina Freire (1905)

Sabina Freire. O espectáculo e os Portugueses

Em Sabina Freire, sejamos claros, estamos numa verdadeira luta de cabeças. E essa luta é uma luta de fêmeas! As mulheres mandam. Os homens fazem parte do universo dos fantoches. Mesmo quando Júlio se atreve a abandonar a dor de cabeça para o confronto derradeiro com Sabina, o resultado é ficar finalmente a conhecê-la. Se analisado na época em que foi escrita e se analisado hoje, passados quase 100 anos, deslumbramo-nos (se nos soubermos deslumbrar) com o material Sabina, que Teixeira-Gomes nos legou. Nós, portugueses, tão velhos como afirmamos e tão incapazes de nos descobrirmos na modernidade que transportamos. Tão ciosos das nossas vitoriazinhas morais, tão mesquinhos e fanfarrões, tão capazes de cuspir para o ar e tão invejosos da saliva dos vizinhos, «espreitas» profissionais, serventuários sem espinha, intrujões na auto-estima e portadores no ADN de ontológico sentimento de inferioridade congénito, fomos e somos «vistos à lupa» pela cabeça de Teixeira-Gomes. Continuamos um povo em ruínas, em que o Castelo de Silves, como diz Sabina é «a sua mais nobre ruína, a sua única ruína histórica», pensa ela, «nesta região só abundam monumentos e ruínas nos corações e nas almas! E no entanto eu levo daqui a impressão de uma terra luminosa, onde tudo sorri… Se eu a povoasse de novo e a meu jeito podia ser feliz vivendo nela…» é, quiçá um bom exemplo. Pouco ou nada mudou de relevante entre o tempo da escrita de Sabina e o tempo em que a vamos representar. E aí reside a grandeza do Autor e a pequenez dos «observados». Por isso Sabina antes da partida dispara ainda «Excluía a gente velha: crisol do egoísmo sem graça; os padres: e talvez os poetas líricos da espécie do Júlio.»

 

Rui Madeira

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