IMPRUDÊNCIA​


ENCENAÇÃO

RUI MADEIRA

[2017]

DE

 

IVAN TURGUÉNIEV

IMPRUDÊNCIA​

Неосторожность (1843)

Depois da pós-verdade parece que já só nos resta “assistir à representação do Mundo” interpretada por um grupo de pequenos palhaços baratos, saídos nem sabemos de onde, surgidos do Nada, arrogantes e ufanos de uma grandeza conquistada no desequilíbrio das redes. Dominando o Circo, jogam o jogo, pontapeiam a bola e sempre que se zangam (o que acontece com frequência, dada a sua instabilidade) agarram-na metem-na debaixo do braço e ameaçam-nos que a rebentam. Discutem o tamanho dos botões que não são de punho, apresentam gravatas berrantes, fazem caretas, têm penteados cómicos, mostram-se bravos e mandam bocas à pateia. Mostram-se tímidos e apesar de ridículos e de, por vezes, nos fazerem rir…. são verdadeiramente perigosos!

Estes são apenas alguns dos que escolhemos para participarem como actores nesta “pequena paródia sobre o romantismo grandiloquente” que Ivan Turguéniev escreveu em 1843, a partir (pensamos nós) da sua “passión española” chamada Pauline Viardot Garcia, uma enigmática mulher, cantora de ópera, casada com um francês, que apesar de cruelmente feia tinha tanto talento que toda a nata da intelectualidade europeia do seu tempo e de ambos os sexos, se enamorou devastadoramente dela.

                                                     O Circo tem destas coisas...

Rui Madeira

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