CONVERSA

COM O HOMEM

ROUPEIRO


INSTALAÇÃO TEATRAL 

ALBERTO PÉSSIMO ·  RUI MADEIRA

[2013]

DE

 

IAN McEWAN

CONVERSA COM O HOMEM ROUPEIRO ​

Conversa Com O Homem Roupeiro ​ ​ (1975)

Em Conversa com o Homem Roupeiro estamos quase no fim ou no fim mesmo do caminho. A disponibilidade para a Luta já terminou. A conversa inicia-se depois da batalha perdida e com o personagem assumidamente derrotado. Exausto. Já não come, não se veste, não paga a renda, não ousa sair… bate punhetas. É um número. Cabe num qualquer ficheiro, em qualquer armário. Está disponível para se entregar e ser manipulado. A quem e por quem? Ao e pelo Estado, claro!

Através dum humor requintadamente negro, McEwan instala o personagem numa perspectiva paradigmática e perversa. A máxima responsabilização do Estado no momento exacto em que esse mesmo Estado se demite das suas funções perante o cidadão. O personagem/cidadão diz: estou aqui, fiz tudo o que estava humanamente ao meu alcance para ser normal. Acreditei no vosso discurso. Não funcionou. ok! Eu já não aguento mais. Agora a responsabilidade é totalmente vossa. Estou consciente e disponível. Matem-me! Não preciso da vossa liberdade, não me governo com ela, “ na verdade, lembro-me agora de por vezes ter desejado menos liberdade. A liberdade condicional não me paga a comida e a renda. Quero ser pequeno, não quero este barulho e estas pessoas à minha volta. Quero estar longe disso tudo, no escuro”. Esqueçam-se de mim.

Rui Madeira

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