NO ALVO 

Thomas Bernhard

125 ª Produção ·  [ 2015 ]

O que está em causa é o próprio Teatro: a Sala, os Artistas e o Público. Parece que os europeus ainda não entenderam até onde nos trouxe a Segunda Guerra. Há hoje uma geração de náufragos nesta Europa, que luta ferozmente para voltar à tona, sem memória colectiva e com profundo sentido de revanche. São reais, concretos, encantatórios e acreditam que esta Europa pode voltar a ser a sua Europa, a da barbárie. Personagens asfixiadas em casacas de medo a investirem contra a Cidade. O desamor ou ódio, como estratégia que resta para a sobrevivência. A Mãe, a Filha, o Escritor dramático, a Criada, não estão apenas sós, uns contra os outros. Eles exibem, também, numa nudez “despudorada” os mecanismos dos cérebros. Num crepuscular “quadro de família” emerge a Figura da Mãe que faz a sua Vida semeando a Morte à sua volta. Ela, que só desejava ver o mar e perceber as marés. Que partiu de mala vazia e para a encher passou por cima de Tudo. Sim, a imundície diz ela prolifera por todo o lado, no teatro, na fábrica, nos operários, sim... há 60, há setenta anos “que os trabalhadores triunfam / mas isso ainda os nossos não entenderam / os trabalhadores triunfam / eles têm o caderno na mão / ditam determinam / arruínam-nos completamente... como tu não percebes nada de chá / também não fazes ideia da história do mundo minha filha.” (in No Alvo)

Rui Madeira

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